Sete minutos de… mais nada!

Os mais variados criadores de conteúdo para plataformas como o YouTube têm-nos brindado com tudo e mais alguma coisa. Hoje em dia, não deve haver nenhuma “paixão” que não tenha algo disponível para ver ou rever. No que diz respeito aos (verdadeiros) apaixonados por automóveis, como eu, estes sete minutos são um daqueles momentos em que simplesmente não queremos saber de mais nada. Interessa apenas regular o som das colunas ou auscultadores da melhor forma, ajustar o encosto da cadeira e apreciar este vídeo, as vezes que forem necessárias…

Trata-se do Ferrari 250 GTO com que Phil Hill venceu corridas como as 12 horas de Sebring, por exemplo. Neste vídeo, o GTO é conduzido por Derek Hill, filho de Phil Hill e também piloto, numa estrada de montanha fechada, algures no meio da Califórnia. São mesmo sete minutos em que não queremos saber de mais nada…

Este vídeo faz parte das filmagens efectuadas para produzir este outro vídeo, bem mais emotivo e histórico, sobre este Ferrari 250 GTO, da segunda série, com o chassis #5571. São mais oito minutos de coração quente.

De nada.

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O papel não morreu, bem pelo contrário…

Actualmente, quem faz questão de querer parecer mais culto, moderno e sofisticado costuma dizer algumas vezes que “o papel morreu”. Mas o papel não morreu. O papel está melhor que nunca. As alternativas ao papel como os tablet e outros dispositivos de leitura de revistas ou livros é que ocuparam o lugar da leitura mais factual e directa. A chamada leitura de consumo rápido. Para quem gosta mesmo de apreciar um bom livro ou uma revista, o papel está em muito boa forma e recomenda-se. Aliás, esta é talvez a melhor época para o papel.

Entre os exemplos que descobri recentemente está a revista francesa Auto Heroes (que ainda consegui comprar a primeira edição, do início de 2016) e a alemã Craftrad mais ligada ao mundo das duas rodas e que passou a ter uma versão internacional escrita em Inglês. São do género de publicações que nos mostram que quando há margem para a paixão, as coisas boas acontecem. E neste caso, são dois exemplos daqueles que dá vontade de folhear, sentir o cheiro do papel e da tinta e ver com atenção as imagens incríveis que estão publicadas.

Se o papel morreu? Não, nada disso. O que morreu foi o gosto que muitas pessoas tinham em fazer revistas. Daquelas como deve ser. Com tempo, com estrutura e com gosto. E não apenas a pensar na folha de cálculo e no lucro que poderá ter.

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Aquela “coisa” da rotina!

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É uma das coisas mais detestáveis do nosso quotidiano. Para mim, pelo menos. A obrigatoriedade de fazer a mesma coisa todos os dias, ao longo de vários dias, semanas, meses ou mesmo anos é algo que me assusta profundamente. Tal como aquilo que digo na descrição deste blog, tem de haver algo novo todos os dias.

Há pessoas que não pensam assim, eu sei. Há até quem diga que a rotina lhes transmite alguma segurança. Mas isso é algo que eu não consigo mesmo entender. A necessidade de pagar contas e de ter um ordenado acaba por condicionar muito este ponto, mas bolas, eu até sou daquelas pessoas que se irrita quando tem de ir para casa pelo mesmo caminho. Há dias em que até escolho ruas diferentes, com o objetivo de despistar a rotina, que teima em me perseguir.

Isso não quer dizer que não tenha consciência de que nem sempre é possível. Há alturas em que a rotina é demasiado forte e nos consome de uma forma horrível. Um dos melhores exemplos é o facto de estar a dois dias de completar o meu 43º aniversário e nem sequer ter dado por isso. Algures num recanto do meu cérebro, ainda tenho 25 anos e posso fazer aquilo que me apetecer, posso-me divertir como bem entender e ir ter com os amigos que quiser.

Mas não é bem assim. O facto de os anos passarem rapidamente influencia muitas destas coisas. Não posso fazer o que me apetece. Tenho responsabilidades para cumprir, pessoas que dependem de mim e o dever de lhes proporcionar o melhor que posso. Lembro-me de quando não conseguia ir dormir antes da meia-noite, pois achava que era uma perda de tempo. Agora, chego a casa tão cansado que há dias em que até dispensava o jantar.

O tráfego deste blog também consegue mostrar isto da melhor forma. No último post falo sobre como as redes sociais acabaram por passar os blogs para segundo plano e que era quase por isso que as atualizações não eram feitas com tanta frequência. Mas, apesar de tudo, eu gosto de escrever, gosto de contar histórias e gosto de tentar explicar por palavras algumas das coisas que vou sentindo e vivendo na minha rotina. Só que entretanto, desde o último post em que eu referia que ia “tentar não demorar outra vez alguns anos até regressar”, já passaram dois anos e meio. Assim, de repente. Quase sem dar por isso. Sugado pela rotina e exausto ao ponto de só me apetecer estar no quentinho, debaixo do edredon. Não me lembro do último filme que vi, o escritório continua o mesmo caos há anos pois ainda não o consegui arrumar como deve ser e há dias em que tenho mesmo de parar numa estação de serviço a caminho de casa, fechar os olhos e ficar no silêncio três ou quatro minutos antes de continuar.

Como diria Ferris Bueler: “Life moves pretty fast. If you don’t stop to look around once in a while, you could miss it”. E eu tento. Tento mesmo. Mas este “depressa”, é mesmo muito depressa…

Até um dia destes, provavelmente daqui a uns dois anos e meio…

Como o tempo passa…

Wordpress

Parece incrível mas, assim, de repente, já passaram oito anos desde que criei a minha conta no WordPress e criei o meu primeiro blog por aqui. Isto, depois de já terem passado três desde que o Recanto Cibernético nasceu no Blogspot.

Os Blogues parecem ter sido um dos primeiros passos mais importantes no caminho para as redes sociais, antes do Facebook e “redes” semelhantes. Era uma primeira forma de mostrar ao mundo o que estávamos a fazer, a opinião que tínhamos sobre diversas coisas e o que bem nos apetecesse, apenas porque sim. Apenas texto, diversas fotos, os mais variados temas. Tudo! (bem, quase tudo)…

O problema é que nos blogues há muito mais texto. Tem mais a ver com uma opinião, do que propriamente com o “chocolate que estou a comer”, o “sitio onde fui almoçar” ou “olhem só onde eu estou”. E, por isso, também o meu blogue – que demorou tanto tempo a ser criado por eu não acreditar muito na partilha de diversas coisas – acabou por cair no esquecimento e praticamente nunca mais lhe liguei. Não consegui evitar uma risada quando abri a página hoje, e o título do post mais recente era: “Adeus 2011, olá 2012”. E não tarda nada, estamos a terminar o ano 2015!

Esse “último” post dizia precisamente que eu já não vinha cá há muito tempo, muito por culpa das redes sociais. E é verdade. Escrever isto tudo dá trabalho e cada vez há menos tempo para escrever seja o que for, longe do carreiro de ovelha que muitos de nós somos obrigados a seguir. E é uma escrita para o vazio. Nem se trata muito bem de quantos “likes” vamos receber nem nada disso. Pelo menos aqui, onde os posts são quase desabafos. E aqui fica mais um. Com o carimbo do próprio WordPress a dar-me os parabéns pelo oitavo aniversário do Recanto Cibernético.

Vamos ver se consigo não demorar outra vez alguns anos até regressar, e entretanto, atualizo um pouco a imagem disto tudo.

Adeus 2011, olá 2012!

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Continua mais ou menos esquecido mas o meu blog ainda tem pulsação. E a brincar, a brincar, já lá vão mais de sete anos de existência. Claro que a “culpa” deste esquecimento de actualizações vai direitinho para o boom que as redes sociais tiveram nos últimos anos, com muito mais imediatismo e com uma facilidade de consulta claramente superior. Mas como o lema do blog se mantém como: “Ano novo, vida nova, casa nova, carrinha nova, blog novo, agenda nova, uma estante nova. Tem de haver algo novo todos os dias! (Ou quase…)”, a actualização no final de mais um ano era praticamente inevitável. E também porque a escrita nos blog’s ainda permite outro tipo de texto que ninguém teria paciência para ler se fosse publicado numa qualquer rede social.
Bem, mas a razão deste post tem a ver com mais uma passagem de ano. E com o adeus ao ano 2011, que me viu voltar a trabalhar naquilo que gosto, mas que, provavelmente, foi mesmo a única coisa positiva que este ano teve. É um ano que não me dá grande vontade de o recordar e que não tenho muita pena que chegue ao fim. O problema é que 2012 não promete ser muito melhor. Os cenários de crise vão continuar, as contas de cabeça também e fico apenas a desejar que eu e todas as pessoas que me são próximas (independentemente da distância a que se encontram) tenham, acima de tudo, uma saúde de ferro para enfrentar mais um ano complicado.
Para todos os que ainda passarem por aqui, e para os que não passarem também, votos de um 2012 melhor que este ano que está prestes a acabar e que os próximos 366 dias sejam o mais felizes possível. Bom ano!

É a praia…

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A areia fina, o cheiro a mar, a água salgada, o barulho das ondas, o sol na pele, pessoas a ir, pessoas a vir, o trânsito para chegar, o trânsito para sair, as crianças que gritam, as crianças que choram, as crianças que riem, as bolas de praia pelo ar, os vendedores de óculos escuros, fios e brincos, o espaço para estender a toalha ou a falta dele, os miúdos a correr e a sacudir areia, os aviões de publicidade, os barulhentos barcos de pesca, a pouca roupa existente (o que pode ser bom ou horrível), o bikini que sai do sítio com a força das ondas, as pessoas que cospem na areia e que a usam para apagar o cigarro, a carrinha do ISN que passa de sirenes ligadas a caminho de mais uma emergência, o barulho das raquetes, o mosquito que não me larga, o “concurso” do chapéu de sol mais original ou da geleira maior, o rádio a pilhas com as notícias ou o relato, a velha que não pára de olhar para mim a tentar perceber o que é que eu estou a fazer com uma coisa preta na mão que me obriga a mexer freneticamente os polegares, os bebés que vêm pela primeira vez à praia, os velhotes que já cá vêm há anos, os amigos que se fazem, as pessoas que se vêm, as discussões a que se assistem, as fotografias que se tiram, as memórias que ficam, as saudades que deixam e todos os argumentos que nos fazem (ou não) querer voltar. E talvez a frase mais longa de sempre neste blog, que não segue necessariamente uma ordem…