Entrevista a Sócrates na SIC
Teve hoje lugar, no horário nobre da SIC mais uma entrevista ao nosso Primeiro Ministro, José Sócrates. Eu não ligo muito a política, confesso, nem sequer gosto, mas como envolve o nosso país e o nosso bem-estar de uma forma mais ou menos geral (e como eu até estava a jantar longe do comando da televisão), resolvi tomar um pouco de atenção para ver se conseguia perceber alguma coisa. Assim, pelo menos, acho que a minha opinião passa para um campo totalmente idóneo, uma vez que de política não percebo nada e não estou minimamente dentro dos temas: Défice, Crise, etc… Apenas sei que não é bom e que quem se lixa são sempre os mesmos. Em primeiro lugar, acho que é de uma falta de profissionalismo considerável ter duas pessoas a entrevistar apenas uma. Dá logo a ideia de se tratar de um interrogatório e não de uma entrevista. Depois, acho que a escolha dos jornalistas para esta entrevista não foi a mais feliz, uma vez que até eles próprios parecem não estar de acordo em diversas situações e vão dando toques no braço um do outro para falarem primeiro e finalmente, a característica que mais irrita numa entrevista, que é o facto de passarem a maior parte do tempo a falarem todos ao mesmo tempo e não darem sequer hipótese ao entrevistado de concluir a sua resposta, o que para quem não está muito atento ao patamar actual da política nacional, faz com que a entrevista soe mais ou menos assim: “Défice, por cento, zona euro, mas, mas, défice, deixe-me acabar, blá, blá, mas espere, o défice, zona euro, funcionalismo público, zona euro, blá, blá, se me deixar terminar, défice, de forma alguma, blá, blá, défice, crise, eleições, maioria” e por aí em diante… Ou seja, em vez de tentarem cativar os que menos acreditam e os que menos ligam ao tema política, estas entrevistas servem apenas para tentar encontrar falhas no entrevistado e transformam-se num espécie de jogo do gato e do rato, furiosamente a correr para ver quem ganha. E em termos produtivos, zero, nada se faz, nada se revolve, nada se conclui. É apenas um bom tempo de emissão televisiva em horário nobre desperdiçado com uma data de pessoas a falar ao mesmo tempo e nem sequer percebemos o que elas dizem.




Acho que falarem todos ao mesmo tempo deve ser uma técnica muito em moda para manter os que não são apreciadores de política na mesma, a não acharem graça nenhuma à política e, para assim conseguirem, muitas vezes não dizerem coisas que não convêm ser ouvidas pois a confusão é tanta que, se são ditas, passam despercebidas ou então não há tempo para as dizer.
Eu também ouvi a entrevista. Sempre gostei desses momentos televisivos e sou viciado em informação. Mas estava já de pé atrás, já que as entrevistas a José Sócrates são sempre muito pobres. É verdade que muita da culpa é dos entrevistadores, que opinaram mais do que deviam, mostraram demasiado as suas convicções e não tiveram sabedoria para conduzir a entrevista. Mas José Sócrates é também muito fraco, porque não tem nada de bom para dizer ao país. Não respondeu directamente a nenhuma pergunta e desviou sempre o assunto. Eu fico, mais uma vez, sem guardar uma única linha ou novidade da entrevista. A mim acrescentou-me zero. Rigorosamente nada. E isso preocupa-me, porque como dizes, e bem, André, quem se lixa são sempre os mesmos. E é um facto que dois para um é meio caminho andado para correr mal. Enfim…